
Quatro títulos de simples, Top 10 mundial, semifinal de Roland Garros e grandes conquistas também nas duplas. Dos primeiros passos no circuito à elite do tênis, a brasileira construiu uma trajetória marcada por conquistas, recomeços e coragem para respeitar o próprio tempo.
A história de Beatriz Haddad Maia no circuito profissional começou cedo. Em 2010, ainda adolescente, disputou seus primeiros torneios no Circuito ITF. Dois anos depois, fez sua estreia em um qualifying da WTA e, em 2013, em Florianópolis, conquistou a primeira vitória em uma chave principal do circuito.
Era o começo de uma escalada construída passo a passo. Em 2015, chegou às quartas de final no Rio de Janeiro e entrou pela primeira vez no Top 200. Naquele mesmo ano, conquistou também seu primeiro título de duplas na WTA, em Bogotá, ao lado de Paula Cristina Gonçalves. Uma lesão no ombro durante os Jogos Pan-Americanos de Toronto, porém, exigiu cirurgia e a afastou das quadras pelo restante da temporada.
Os primeiros grandes passos

Em 2017, Bia deu um salto importante. Disputou sua primeira chave principal de Grand Slam em Roland Garros, após passar pelo qualifying, e conquistou em Wimbledon sua primeira vitória em uma chave principal de Major.
Naquela temporada, também alcançou sua primeira final de simples na WTA, em Seul. Ocupando a 71ª posição do ranking, enfrentou na decisão Jelena Ostapenko, então número 10 do mundo. Bia terminou o ano na 65ª colocação, completando pela primeira vez uma temporada dentro do Top 100.
A trajetória teria novas interrupções e recomeços. Em 2019, chegou à semifinal em Bogotá e às quartas de final em Acapulco, onde conquistou sua primeira vitória sobre uma Top 10 ao derrotar Sloane Stephens, então número 4 do mundo.
Em 2020, disputou apenas torneios do Circuito ITF, conquistando quatro títulos. No ano seguinte, foram mais cinco troféus nesse nível e o retorno ao Top 100. Em Indian Wells, Bia conseguiu um dos resultados mais expressivos da carreira até então: derrotou a número 3 do mundo, Karolina Pliskova, e avançou até as oitavas de final.
Estava preparado o terreno para a maior transformação de sua carreira.
O salto para a elite mundial

A temporada de 2022 mudou o patamar de Bia no circuito.
Na grama inglesa, conquistou em Nottingham seu primeiro título de simples na WTA. Uma semana depois, voltou a ser campeã em Birmingham. Com os dois troféus consecutivos, tornou-se a primeira mulher a vencer os dois torneios em sequência.
A ascensão não parou por aí. Em Toronto, Bia chegou à primeira final de WTA 1000 da carreira. A campanha a levou ao Top 20 mundial e confirmou que a brasileira já fazia parte do grupo das principais jogadoras do circuito.
Na mesma temporada, chegou às semifinais de Monterrey e Eastbourne e conquistou dois títulos de nível WTA 125, em Saint-Malo e Paris.
Nas duplas, 2022 também foi especial. Bia chegou à final do Australian Open ao lado de Anna Danilina, conquistou o título de Nottingham com Zhang Shuai e garantiu, novamente com Danilina, uma vaga no WTA Finals.
Entre as dez melhores do mundo

Se 2022 representou a chegada à elite, 2023 colocou Bia entre as dez melhores jogadoras do planeta. A brasileira fez uma grande temporada no saibro, chegando às quartas de final em Stuttgart e Roma. Em Roland Garros, foi ainda mais longe: avançou até a semifinal, seu melhor resultado em um Grand Slam.
A campanha em Paris levou Bia, em junho de 2023, ao Top 10 mundial pela primeira vez na carreira. E o ano ainda teria outro grande momento. No WTA Elite Trophy, em Zhuhai, Bia derrotou Zheng Qinwen na final e conquistou seu terceiro título de simples no circuito WTA.
A passagem por Zhuhai foi ainda mais especial porque Bia deixou a competição com dois troféus. Nas duplas, jogando ao lado de Veronika Kudermetova, também foi campeã. Na mesma temporada, havia conquistado o WTA 1000 de Madri com Victoria Azarenka.
Bia encerrou 2023 como número 11 do mundo.
Quatro títulos e três anos no Top 20

Em 2024, a brasileira voltou a mostrar sua consistência entre as principais jogadoras do circuito. No US Open, chegou às quartas de final, seu melhor resultado em Nova York. E, sete anos depois de disputar em Seul sua primeira final da WTA, retornou à cidade para viver outro momento especial da carreira. Desta vez, saiu campeã.
O título de Seul foi o quarto de simples da carreira de Bia e seu primeiro em um torneio WTA 500. A brasileira também foi vice-campeã em Cleveland e terminou o ano na 17ª posição mundial. Era sua terceira temporada consecutiva encerrada dentro do Top 20.
Também nas duplas, Bia continuou colecionando conquistas. Em Adelaide, ao lado de Taylor Townsend, levantou seu sétimo troféu da modalidade.
Em 2025, chegou à semifinal no saibro de Estrasburgo e às quartas de final na grama de Bad Homburg e no SP Open, em São Paulo. Nas duplas, conquistou em Nottingham, com Laura Siegemund, seu oitavo título no circuito WTA.
A força também está em saber parar

Dos primeiros torneios do Circuito ITF ao Top 10 mundial, Bia construiu uma carreira que atravessou diferentes fases, interrupções e recomeços. São quatro títulos de simples na WTA, oito de duplas, uma semifinal de Roland Garros, quartas de final do US Open, uma final de WTA 1000 e três temporadas consecutivas terminando entre as 20 melhores do mundo.
Agora, aos 30 anos, a brasileira escolheu fazer uma nova pausa. Em agosto de 2026, Bia anunciou que ficará afastada das competições no segundo semestre desta temporada, ativando seu ranking protegido.
A decisão, segundo ela, vinha sendo amadurecida havia alguns meses. “É uma decisão que venho enfrentando mentalmente há alguns meses, não tem sido fácil a minha relação com o tênis”, explicou ao anunciar a pausa.
Parar também pode exigir coragem. Especialmente para uma atleta acostumada a competir, reconstruir caminhos e seguir em frente. Bia fez questão de deixar claro que sua decisão não representa uma despedida. Ao comunicar a pausa, resumiu: “Um tempo, na verdade, até breve!”
Aos 30 anos, sua história continua aberta para novos capítulos. Mas os que já foram escritos são suficientes para colocar Bia Haddad Maia entre os grandes nomes do tênis brasileiro.
ENTENDA: O que é o ranking protegido?
O ranking protegido é uma regra da WTA criada para facilitar o retorno de uma jogadora que precisa ficar afastada do circuito por um período prolongado.
Como funciona?
Durante a pausa, o ranking oficial continua seguindo normalmente: os pontos expiram e a atleta pode perder posições. Mas, nos casos previstos pelo regulamento, ela pode ter um ranking especial para usar na entrada em torneios quando voltar a competir.
Na prática:
Se uma jogadora fica vários meses sem competir, seu ranking oficial pode cair bastante. O ranking protegido funciona como uma referência de sua posição anterior, evitando que ela precise reconstruir todo o caminho desde o início.

