
Número 31 do mundo, campeã de dois torneios do circuito principal e protagonista de uma geração do tênis feminino brasileiro, Niege Dias construiu uma carreira tão curta quanto marcante. Em 2026, sua história ganha uma nova celebração no SP Open.
Há carreiras que se tornam grandes pela longevidade. Outras precisam de pouco tempo para deixar sua marca. A de Niege Dias pertence ao segundo grupo.
Gaúcha, nascida em 5 de dezembro de 1966, Niege surgiu em uma época em que construir uma carreira internacional no tênis era um desafio ainda maior para uma atleta brasileira. Na década de 1980, percorreu o circuito, disputou os principais torneios do mundo e se estabeleceu entre as melhores, tornando-se uma das figuras mais importantes do tênis feminino nacional depois da era de Maria Esther Bueno.
O grande salto aconteceu em 1987. Jogando no Brasil, no Guarujá, Niege conquistou seu primeiro título no circuito principal ao derrotar outra referência do tênis brasileiro, Patricia Medrado, na final. No ano seguinte, mostrou que aquele resultado estava longe de ser circunstancial: no saibro de Barcelona, venceu novamente e levantou seu segundo troféu de simples.
Foi também em 1988 que alcançou o ponto mais alto de sua trajetória. Em 5 de dezembro, chegou à 31ª posição do ranking mundial, marca que durante décadas permaneceu como uma das maiores do tênis feminino brasileiro. Até a ascensão de Beatriz Haddad Maia, nenhuma brasileira da Era Aberta havia superado essa posição no ranking de simples.
Niege também deixou sua marca nas duplas. Ao lado de Patricia Medrado, conquistou em 1986 um título do circuito em São Paulo. Entre 1985 e 1988, defendeu ainda o Brasil na Federation Cup, atual Billie Jean King Cup. Nos Grand Slams, esteve nas chaves principais de Roland Garros, Wimbledon e US Open. Sua melhor campanha aconteceu em Roland Garros, em 1989, quando chegou à terceira rodada, resultado que confirma o espaço que ocupava no cenário internacional naquele momento.
E então, justamente quando parecia haver muito caminho pela frente, Niege escolheu parar.
Em 1989, aos apenas 22 anos e poucos meses depois de alcançar o melhor ranking da carreira, Niege decidiu deixar o circuito profissional. Anos depois, explicaria que buscava uma vida diferente da rotina intensa das competições. Encerrava cedo uma trajetória que já reunia o 31º lugar do mundo e dois títulos de simples e um de duplas no circuito principal. A conquista de Barcelona, em 1988, permaneceria por 27 anos como o último título de uma brasileira nesse nível, até Teliana Pereira vencer o WTA de Bogotá, em 2015.

Mas Niege nunca se afastou do tênis. Hoje, é coordenadora de tênis e Head Pro do Belém Novo Golf Club, em Porto Alegre, onde trabalha na formação de jogadores, de crianças e jovens a atletas de alto rendimento. Quase quatro décadas depois de seus maiores resultados, sua trajetória ocupa um lugar importante na história do tênis feminino brasileiro, fazendo a ponte entre a geração de Maria Esther Bueno e as brasileiras que vieram depois. Ao homenagear Niege Dias em 2026, o SP Open celebra uma atleta que, em uma época de menos estrutura e oportunidades, chegou à elite mundial, venceu e abriu caminhos.
Sua carreira profissional pode ter sido breve. Seu lugar na história, não.

