
Ela tinha 19 anos, ranking 214 do mundo e um nome que poucos sabiam pronunciar. Tiantsoa Rakotomanga Rajaonah — “Titi”, para os íntimos — nasceu em Antsirabe, no Madagascar, cresceu na França e chegou ao Parque Villa-Lobos quase em silêncio. Saiu campeã e com 83 posições acima no ranking. Com um 6–3, 6–4 na final, a jovem francesa escreveu o primeiro nome na história do SP Open — e deu ao torneio, já na estreia, exatamente o que um grande evento precisa: uma história que ninguém esperava.
Foi na Quadra Central Maria Esther Bueno que Tiantsoa venceu a indonésia Janice Tjen e ergueu o troféu criado pelo joalheiro Ara Vartanian, inspirado no Marco Zero de São Paulo — um símbolo da cidade que a recebeu e que ela, visivelmente emocionada, prometeu não esquecer. Com seu primeiro título do circuito profissional conquistado em solo brasileiro, a francesa declarou que o país teria sempre um lugar em seu coração.
Foi assim que setembro de 2025 ficou marcado no calendário do tênis feminino brasileiro. Depois de 25 anos sem um WTA 250 em São Paulo, a cidade redescobriu o tênis de elite num parque público, rodeada de árvores, com arquibancadas cheias e torcida vibrante. Não foi só um torneio. Foi um reencontro.

O ano de estreia já havia mostrado a força do tênis. Mais de 33 mil pessoas circularam pelo complexo do parque ao longo dos nove dias de competição, acompanhando não apenas a campanha improvável da francesa, mas também o protagonismo brasileiro que se manifestou, sobretudo, nas quadras de duplas: das quatro finalistas, três eram brasileiras. Luisa Stefani ergueu o troféu ao lado da húngara Tímea Babos, batendo a dupla nacional formada por Ingrid Martins e Laura Pigossi em uma final que terminou em lágrimas — não de tristeza, mas da dimensão do momento. “Essa semana é muito mais que um título, é um passo gigantesco no caminho do futuro do tênis brasileiro”, disse Stefani, na ocasião.
Bia Haddad Maia, principal favorita ao título de simples, caiu nas quartas de final diante da mexicana Renata Zarazua, mas a presença de 12 brasileiras somando chave principal e qualifying — entre elas Nauhany Silva, que aos 15 anos se tornou a primeira atleta nascida nos anos 2010 a vencer uma partida em nível WTA — confirmou que o torneio nasceu, antes de tudo, como vitrine para a nova geração do tênis nacional.

Ao todo, foram 57 jogadoras de 21 países que entraram em pelo menos uma das três quadras do SP Open destinadas para os jogos, além de 57 partidas disputadas e premiação total de US$ 275.094,00.
Se a emoção estava nas quadras, a diversão também acontecia no Boulevard. Com mais de 8 mil metros quadrados construídos especialmente para o torneio, o espaço reuniu 38 patrocinadores — muitos deles com ativações presenciais — e transformou o entorno do complexo em um destino por si só. A gastronomia deu o tom, com diversas opções desde lanches rápidos a sorvetes, drinks e cafezinho, mantendo a energia lá em cima.
Entre 12 e 20 de setembro de 2026, o Parque Villa-Lobos volta a se transformar na casa do WTA 250 mais badalado da América do Sul — e a história, que em 2025 nasceu grande, em 2026 chega maior, mais madura e com a ambição de se firmar como uma tradição.
Entre as jogadoras do SP Open 2026 estão nomes de peso do circuito internacional e talentos da nova geração. A canadense Leylah Fernandez, finalista do US Open de 2021 e dona de cinco títulos de WTA, lidera as confirmadas ao lado de Paula Badosa, ex-número 2 do mundo e campeã do WTA 1000 de Indian Wells; da cazaque Yulia Putintseva, ex-top 20 e tricampeã no circuito; e da alemã Eva Lys, que alcançou o top 40 após sua melhor temporada, em 2025. A chave conta ainda com destaques como Solana Sierra, Tereza Valentova, Jil Teichmann, Claire Liu, Anna Blinkova e Jessica Bouzas Maneiro, além das jovens brasileiras Victoria Barros, Nauhany Silva e Laura Pigossi já garantidas por wild card. Ao todo, oito tenistas do top 100 estão confirmadas na disputa pelo título em São Paulo.
A chave volta com a mesma proposta que fez a primeira edição funcionar: misturar nomes consagrados com talentos em ascensão, dar às brasileiras a chance de competir em casa e oferecer ao público nove dias de tênis de alto nível — divididos entre qualifying e chave principal — e atrações fora das quadras, em um dos espaços mais bonitos da cidade.

NOVIDADES 2026

E é na estrutura física que a evolução salta aos olhos primeiros. A Quadra Central Maria Esther Bueno, que em 2025 recebia 2.500 espectadores, ganha capacidade para 2.800 lugares — um aumento que acompanha a corrida pelos ingressos e a vontade do público de estar dentro de quadra, não apenas no entorno. A Quadra 1 também muda de formato: passa a ter arquibancadas dos dois lados, com pequeno acréscimo de lugares, ampliando a experiência das partidas que não estão na arena principal, mas seguem atraindo multidões — como aconteceu em 2025, quando Ana Candiotto jogou para uma Quadra 1 lotada e fez a torcida vibrar com uma vitória em sets diretos.

O Boulevard, espaço de entretenimento com mais de 8 mil metros quadrados, também será reformulado, com o objetivo de melhorar o fluxo de visitantes — resposta direta ao volume de público que surpreendeu a própria organização no ano de estreia.
Lá, o público encontrará opções para todos os gostos, reunindo alguns dos restaurantes e marcas mais prestigiados de São Paulo. Entre os destaques está o Holy Burger, eleito recentemente o melhor hambúrguer do Brasil e o segundo melhor do mundo, com seus premiados hambúrgueres artesanais. A culinária japonesa ganha espaço com a estreia do Otoshi Izakaya, do chef Toshi Akuta, referência na cidade pelos tradicionais otoshis e pequenos pratos inspirados nos autênticos izakayas japoneses. Para quem busca refeições leves, o Wrapster retorna com seus grandes wraps e bowls saudáveis, enquanto o Truck da Roça, sucesso de público em 2025, volta com seus concorridos sanduíches artesanais. A gastronomia italiana chega representada pela Paul’s Boutique Pizza, referência na cena paulistana de pizzas artesanais. Também fazem parte do circuito os autênticos tacos da LosDos Taqueria, os gelatos premium da Vero Latte Gelato, o famoso mil-folhas montado na hora da Mil Confeitaria e opções clássicas para acompanhar um dia de torneio, como hot dogs, pipoca e água de coco. Uma seleção que transforma a visita ao SP Open em uma experiência completa.
SP Open Rising Stars – Fortalecendo a base
Uma das iniciativas mais emblemáticas da edição de 2026 é o SP Open Rising Stars, torneio sub-14 que será realizado durante a semana do próprio SP Open. As oito melhores tenistas brasileiras da categoria, classificadas pelo ranking nacional até 17 de agosto, disputarão a competição em formato de grupos, com a decisão no fim de semana do torneio principal. Mais do que um título, a campeã conquistará uma oportunidade rara: uma wild card para o IMG Academy International Championships, tradicional competição juvenil disputada na Flórida e porta de entrada para o Orange Bowl, com passagem e hospedagem incluídas. Ao reunir as principais promessas do país no ambiente de um evento da WTA, o SP Open proporciona às jovens atletas uma vivência precoce do circuito profissional e cria uma ponte concreta entre a formação e o cenário internacional. É a materialização de um dos principais compromissos do torneio: investir não apenas no presente, mas também no futuro do tênis feminino brasileiro.
Tecnologia em cada ponto

E tem novidade na arbitragem. O SP Open passa a adotar em 2026 o Electronic Line Calling (ELC), sistema que substitui os tradicionais juízes de linha por tecnologia de rastreamento automático, movimento que todos os torneios do circuito WTA vêm adotando nos últimos anos. Não é exclusividade paulistana: é alinhamento. Mas é também um símbolo de como o torneio, em apenas sua segunda edição, já caminha junto com os padrões mais atuais do tênis mundial — o mesmo impulso que, em 2025, trouxe de volta ao Brasil um WTA 250 depois de 25 anos de espera.

