Um ano depois: como estão as brasileiras

Há um ano, o SP Open marcava o retorno do Brasil ao calendário da WTA e reunia, em São Paulo, diferentes gerações do tênis feminino nacional. Algumas atletas chegavam como protagonistas consolidadas. Outras ainda davam os primeiros passos entre as profissionais. Doze meses depois, todas seguem escrevendo histórias muito diferentes — algumas de afirmação, outras de reconstrução ou consolidação, mas todas importantes para entender o momento do tênis brasileiro.

O período entre uma edição e outra do torneio foi intenso para as principais tenistas do país. Houve mudanças de equipe, conquistas inéditas, campanhas históricas, crescimento no ranking e a confirmação de uma nova geração que começa a ganhar espaço no cenário internacional. A seguir, relembramos os principais capítulos desse último ano na carreira das brasileiras que ajudam a escrever o presente — e o futuro — do tênis feminino nacional.

LUISA STEFANI: NO AUGE DA CARREIRA

Quando o SP Open estreou no calendário da WTA, Luisa Stefani já era uma das principais duplistas do circuito. Medalhista olímpica, campeã de Grand Slam em duplas mistas e presença constante entre as melhores do mundo, a paulista transformou os últimos doze meses na fase mais consistente de sua carreira.

A reta final de 2025 foi marcada por quatro títulos ao lado da húngara Tímea Babos — Linz, Estrasburgo, São Paulo e Tóquio —, campanha que garantiu à dupla uma vaga no WTA Finals. Em Riad, elas chegaram à decisão, tornando Luisa a primeira brasileira da Era Aberta a disputar uma final do torneio que reúne as oito melhores parcerias da temporada.

Em 2026, a mudança de parceria não alterou o ritmo dos resultados. Ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, conquistou os títulos do WTA 1000 de Dubai, do WTA 500 de Estrasburgo e do WTA 250 de Eastbourne, além de alcançar as semifinais do Australian Open e de Roland Garros e disputar sua primeira final de duplas femininas em Wimbledon. A campanha no Grand Slam inglês a levou ao 4º lugar do ranking mundial, a melhor posição de sua carreira.

Aos 28 anos, Luisa soma 16 títulos de duplas da WTA, um Grand Slam em duplas mistas e uma medalha olímpica, mas os resultados da última temporada representam um novo patamar. Um ano depois da primeira edição do SP Open, ela retorna a São Paulo consolidada entre as principais duplistas do mundo e vivendo, até aqui, o melhor momento de sua trajetória profissional.

LAURA PIGOSSI: UMA NOVA FASE NAS DUPLAS

Quatro anos depois da medalha de bronze conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Laura Pigossi vive uma nova fase da carreira. Aos 31 anos, a paulista encontrou nas duplas seus melhores resultados recentes e consolidou sua presença entre as principais brasileiras da modalidade.

O período entre as duas edições do SP Open começou justamente em São Paulo, onde Laura chegou à final de duplas ao lado de Ingrid Martins. A campanha foi o ponto de partida para uma sequência consistente no circuito internacional.

Ainda em 2025, conquistou os títulos de duplas dos WTA 125 de Cali e Buenos Aires, resultados que impulsionaram sua ascensão no ranking. Em 2026, manteve a boa fase ao vencer o WTA 125 de Istambul, ao lado da russa Maria Kozyreva, e voltou a conquistar um título de simples no ITF W100 de Gran Canaria, confirmando que segue competitiva nas duas modalidades.

Sem abandonar as disputas de simples, Laura passou a concentrar seus principais resultados nas duplas, modalidade em que encontrou uma trajetória de crescimento contínuo. A sequência de campanhas positivas a manteve competitiva no circuito internacional e próxima do melhor ranking da carreira.

Um ano depois da primeira edição do SP Open, Laura retorna a São Paulo em um dos momentos mais sólidos de sua trajetória profissional. A temporada confirmou que, com experiência e regularidade, ela soube reinventar sua carreira e seguir acumulando resultados importantes no circuito internacional.

INGRID MARTINS: REGULARIDADE ENTRE AS DUPLISTAS BRASILEIRAS

Vice-campeã da primeira edição do SP Open ao lado de Laura Pigossi, Ingrid Martins chega a 2026 consolidada como uma das principais especialistas em duplas do país. Aos 29 anos, a carioca segue construindo uma carreira voltada quase exclusivamente à modalidade, com presença frequente nos maiores torneios do circuito internacional.

Depois da campanha em São Paulo, Ingrid encerrou a temporada de 2025 disputando a chave principal do US Open e terminou o ano entre as 80 melhores duplistas do mundo, consolidando o melhor momento de sua carreira. A regularidade apresentada ao longo da temporada confirmou seu espaço no circuito principal da WTA.

Em 2026, manteve presença nos quatro Grand Slams e voltou a alcançar resultados expressivos. Em Roland Garros, repetiu sua melhor campanha no torneio ao chegar à segunda rodada, enquanto no circuito WTA 125 foi finalista em Makarska, na Croácia, ao lado da ucraniana Ekaterina Ovcharenko. A dupla chegou à decisão depois de eliminar as principais cabeças de chave logo na estreia, demonstrando um alto nível de consistência durante toda a semana.

Mesmo em uma temporada sem títulos, Ingrid permaneceu entre as principais brasileiras nas duplas e continuou competindo regularmente no mais alto nível do calendário. Um ano depois da estreia do SP Open, retorna a São Paulo reafirmando uma trajetória construída com regularidade, experiência e presença constante no circuito internacional.

VICTORIA BARROS: O ANO DA CONSAGRAÇÃO NO CIRCUITO JUVENIL

O período entre a primeira e a segunda edição do SP Open marcou uma mudança de patamar na carreira de Victoria Barros. Aos 16 anos, a potiguar deixou de ser uma promessa do tênis brasileiro para ganhar projeção internacional, impulsionada por uma temporada que a colocou entre as principais juvenis do mundo.

Em maio, conquistou o maior título da carreira ao vencer o tradicional J500 de Offenbach, na Alemanha, um dos torneios mais importantes do calendário juvenil da ITF. A campanha a levou ao Top 5 do ranking mundial e, pouco antes de Roland Garros, ao 3º lugar, sua melhor posição até hoje.

O principal momento da temporada veio em Paris. Cabeça de chave número 3, Victoria alcançou as semifinais de Roland Garros juvenil, igualando a melhor campanha de uma brasileira no torneio desde Andrea Vieira, em 1987. A trajetória reforçou seu nome entre os grandes destaques da nova geração do tênis internacional.

O crescimento também se refletiu fora do circuito juvenil. Em abril, fez sua estreia pela equipe brasileira da Billie Jean King Cup e venceu as quatro partidas que disputou, contribuindo para a classificação do Brasil aos playoffs da competição. Paralelamente, passou a disputar um número maior de torneios profissionais da ITF, iniciando a transição para o circuito da WTA.

Em apenas um ano, Victoria acumulou resultados expressivos, ganhou experiência internacional e consolidou seu nome entre os principais talentos do tênis juvenil. Aos 16 anos, chega ao SP Open vivendo o momento mais importante da carreira e dando os primeiros passos rumo ao circuito profissional.

NAUHANY SILVA: A TEMPORADA DA AFIRMAÇÃO

Em apenas um ano, Nauhany Silva deixou de ser uma promessa do tênis brasileiro para se firmar entre os principais nomes da nova geração do circuito juvenil. Aos 16 anos, a paulista viveu a temporada mais vitoriosa da carreira, conquistando títulos importantes e iniciando sua transição para o circuito profissional.

O grande momento veio no primeiro semestre de 2026. Depois de conquistar os títulos do J300 de Santa Cruz e da Brasil Juniors Cup, em Porto Alegre, Nauhany confirmou a excelente fase ao vencer o tradicional Banana Bowl, em Gaspar, torneio J500 da ITF e o mais importante da América do Sul. Ela chegou ao torneio embalada por uma sequência de 16 vitórias seguidas e tornou-se a primeira brasileira campeã da chave feminina de 18 anos desde Roberta Burzagli, em 1991.

Naná terminou a temporada com 21 vitórias consecutivas no circuito juvenil, campanha construída com muita regularidade, que impulsionou sua ascensão no ranking juvenil e garantiu vaga nos principais torneios da temporada, entre eles Roland Garros.

O ano também marcou sua estreia pela equipe brasileira da Billie Jean King Cup e o início de uma presença mais frequente em torneios profissionais da ITF, etapas importantes no processo de transição para o circuito da WTA.

Em poucos meses, Nauhany acumulou títulos, ganhou experiência internacional e confirmou o potencial que despertava atenção desde as categorias de base. Aos 16 anos, chega ao SP Open como um dos principais talentos do tênis juvenil brasileiro e em plena construção de sua carreira profissional.